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Desafio do Andes – Fevereiro de 2008

Estava sem treinar e precisava de um desafio que me estimulasse a voltar para o  esporte….o ritmo de trabalho tinha me dominado completamente e não achava tempo para nada. Minhas ferias estavam vencidas e tinha que sair, a Isa (minha mulher) teria que passar uns dias em Miami a trabalho. Mas estava sentindo falta de passar uns “perrengues” e ter um contato com o mundo alem do asfalto.

Por obra do destino, recebi um e-mail sobre uma travessia da Cordilheira dos Andes de bike www.mtbtours.com …pegar mais informações não faria mal algum. Com duas ligações não consegui segurar a ansiedade e já não via a hora de prepar os equipamentos e voltar a treinar…coordenei com a Isa a ida dela para Miami…ao final da travessia dos Andes encontraria com ela lá.

Consegui treinar apenas o suficiente para não fazer vergonha…mas sabia que com o passar dos dias ia melhorando. Assim no dia 15/02 desembarcava em Buenos Aires para um pernoite e no dia seguinte seguir para Malargue.

A travessia consiste em um pedal pelo Paso Vergara, de Malargüe na região de Mendonça (Argentina) até Curicó no Chile (2460 m). Num total de 310 km com muito desnível …basicamente 6 dias de subida e um de MEGA descida.MTB Tours Travesias de mountain bike, cicloturismo en Argentina, Uruguay y Chile - Patagonia y Cruce de los Andes en bicicleta_1249348566427

Cheguei em Malargue com um pouso desastroso…pensei na minha bike no porão do avião pois a pancada foi grande. Quando desci do avião no pequeno aeroporto olhei a cordilheira a minha esquerda, a visão me mostrou o tamanho do desafio que teria pela frente. Recolhi minha bike de um canto da esteira e fui procurar a Van da MTB Tours. Van encontrada comecei a trabalhar pois o motorista que nos levaria até o hotel estava meio desligado. Como minha bike iria sobre a van junto com outras e com bagagem, me ofereci para subir no teto e ajudar na amarração. No caminho vimos um pequeno tornado.IMG_2258

Na van alem de mim havia uma Canadense, um Frances, uma Finlandesa e mais TRÊS brasileiros. Apresentações feitas e pegamos a estrada. Na chegada tratei logo de montar a bike e sair para testá-la. Na volta encontrei com o resto do grupo (maioria argentinos) e fomos jantar. Naturalmente todas as brincadeiras entre Brasil x Argentina. Apos jantar…tentar segurar a ansiedade e dormir.

Primeiro dia de pedal Malargüe – Bardas Blancas – 67.5km – 774 metros de subida/740 metros de descida

Acordamos cedo e o Mariano nosso guia já nos esperava para fazer o breifing e vistoriar as bikes. Café da manhã, últimos ajustes e um pouco de giro no asfalto. De cara a bike da Finlandesa deu problema e eu e o Vinicius, o outro brasileiro, paramos para ajudar. Tinham realmente maltratado da bike dela no avião. O freio a disco estava todo empenado. Com isso perdemos contato com o grupo. Pedalamos forte 45 km e alcançamos o grupo para o almoço.  Paramos sob umas arvores, comemos e descansamos um pouco. Reunidos saímos novamente. Descemos boa parte do que já tínhamos subido num down Hill com muita, mas muita costeleta de vaca mesmo. Abandonei a manete de freio e desci como um maluco… agora sim a travessia tinha começado…que sensação boa do barulho de pedrinhas e areia batendo na bike e o vento no rosto.IMG_2269

Chegamos ao ponto de acampamento eu, o Ben (australiano) e logo depois Marcelo, um professor de educação física muito engraçado. Aproveitei para montar logo minha barraca, optei por levar a minha mesmo, que só cabe uma pessoa então tive a privacidade preservada assim como o sono. Me incomodava pensar em dividir barraca com alguém que não conhecia. Já tinha a experiência do caminho de Santiago quando nos albergues ficávamos perto do roçadores.IMG_2309

Tomei um banho quente no mercadinho, o último dos próximos dias. Fui fotografar o por do sol e depois jantar um típico assado argentino regado a vinho. Apos o jantar, o Ben sacou da mochila uma flauta doce e começou a tocar musica clássica.  IMG_2329Muito inusitado, a Lua já se formava, o frio começava e nós ali, no meio do nada ouvindo musica clássica, tomando vinho depois de um super churrasco. Que dia gosto, agora era só entrar na “Carpa” e dormir.

Acampar não é tão ruim assim

Acampar não é tão ruim assim

IMG_2324

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Capitulo 3 – A subida dos Andes

03/06/03000014
Saímos de Pousadas as 4:50 da manhã sentido Salta, depois de termos dormido no carro em um posto de gasolina…choveu MUITO a noite e o vento nos fez pensar que o posto ia voar, o barulho da chuva no carro de aluminio era enorme…acabou a luz  e o pessoal do posto ficou meio agitado…era a primeira noite que dormia no carro e fiquei um pouco preocupado….mas com 15 minutos de chuva resolvi aproveitar o barulho da chuva para dormir bastante.
Passsamos o dia na estrada, até as 7:30 era noite e ainda chovia muito o frio era muito forte. Havia muitos postes tombados na estrada…acho que a chuva realmente foi muito forte. Chegamos na maior reta que já vimos até hj (se não é a maior do mundo) cruza quase todo norte da Argentina, metade dela é 000023muito boa o que fez com que mantivéssemos uma boa velocidade…mas o final dela é terrível, DSC08419aproximadamente uns 40 km de muito buraco…rodamos aproximandamente 600km de reta….para tirar a monotonia, as vezes saia do asfalto a andava na terra…colocava o pé pra fora…tudo para inventar o que fazer…fomos parados três vezes pela policia e em duas tivemos que “ajudar” ( la colaboracion)com a pintura do posto policial…primeiro com 10 pesos e depois com 3 pesos…o fluxo de animais nesse trecho tbm é enorme…diversas vezes fomos surpreendidos por porcos, cabras, vacas, ovelhas e cavalos cruzando a pista.
No final do dia, começávamos a ver no horizonte os Andes, a vegetação foi mudando bem como o relevo , o visual foi demais…agora tinha cara de expidição mesmo…já dormimos no carro, já era raro cruzar com alguém na estrada, a paisagem diferente do que estamos acostumados…
Chegamos a Salta com aproximadamente 3 graus e um vento forte…paramos num hotel, fomos comer um bom bife num restaurante local e depois de uma garrafa de vinho o descanso merecido.

Animais na pista

Animais na pista

Rodados – 1156 Km
V. media de 85 Km/h
Max. De 140 Km /h
Tempo rodando – 13:35

Total até aqui 2691.9 Km

04/06/03

Acordamos em  Salta e fomos para um Cyber Café para atualizar o Alberto com as noticias e ele colocar no site.

Partimos por volta de 9:30 rumo a Jujuy onde procuravamos um posto com um “cara melhor” para abastecer, Jujuy tem um modo proprio de dirigir, niguem respeita muito regras de transit…o Matteo se estranhou com um taxista que deu uma baita fechada..
DSC08457
Pela primeira vez os perdidos se perderam para pegar a Ruta 09 sentid Paso de Jama. Depois de apróximandamente um 200 km de estrada  a uma altitude de 4000m (media) achamos que os Andes já estavam ficando para trás, foi quando percebemos uma placa que dizia: “Paso de Jama – 260 Km”
DSC08444
Não tínhamos nem chegado na metade do caminho. Pegamos uma estrada de terra muito boa no inicio mas do meio para o fim muita “costeleta”. A paisagem era inacreditável, a cada curva uma surpresa. Eu me enfiei até uma duna “andina” e por pouco não atolei…sai do carro para tirar fotos e a porta se trancou mais uma vez com a chave dentro e o carro ligado (isso já tinha acontecido uma vez na rod. Dutra a noite, péssima experiência), dessa vez a porta traseira estava aberta…mas o susto foi bom…chegou a dar aquela tremedeira nas pernas. Cruzamos pequenos Salares, alguns corregos, vimos poucas Ilhamas no horizonte.
DSC08465
Senti um pouco a subida, um pouco de dor de cabeça, num dado momento sai do carro para tirr uma foto e subi num morrinho correndo…meu coração veio na boca.

Começou a  anoitecer e chegamos a aduana Argentina, pensamos em dormir por lá, mas o guarda nos acnselhou a tocar até SP Atacama pois a temperatura chegaria aos 25 graus a baixo de zero.DSC08469
Tampamos o radiador do Matteo e com a calefação no Maximo seguimos adelante. Realmente espantoso, pois o motor dos jipes ia esfriando com os carros ligados.DSC08475

No topo dos Andes ( +-4900 metros) a água do para-brisa congelou e o carro parecea uma geladeira. Passamos por muita neve, paramos para tirar algumas fotos mas o frio e o vento eram insuportáveis…

Chegamos em SP Atacama as 10:00hs, depois dos trmites aduaneiros (sem problemoas) seguimos para o “point”da cidade…comemos um pouco e fomos procurar um Hotel…

Pela indicação do garçom procuramos um hotel que não existia, pegamos o guia e fomos para o Hotel Chiloe, onde um cara pra la de bêbado e falando inglês nos atendeu…o engraçado foi ver o Matteo negociando preço com um Chileno, boracho, falando inglês o doido para voltar para balada…

Rota do dia
Rodados 578 Km
Vm 55.4Km/h
Tempo 10:20 hs
Max. 135DSC08481


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