Posts Tagged 'Cicloturismo'

Para fechar o desafio dos Andes de Bike

Ultimo dia de nossa aventura…Marcelo puxou o ultimo grande alongamento, sempre regado a piadas e muitas risadas. A noite foi revigorante depois de toda a adrenalina de ontem, dormir com o barulho do rio foi bem relaxante.

O dia hoje também é de morro abaixo e tem uma certa tensão no grupo. Não sei se é a certeza de que o grupo vai se desfazer na chegada ou se é receio de que alguma coisa aconteça, pois foi tudo tão perfeito até aqui…IMG_2578

Saímos na frente Marcelo, Ben e eu….pedalando firme para baixo quase que em competição, apenas dando intervalo para as fotos. Logo atrás vem Loreine. A pista, apesar de ser de terra já está bem mais próxima da civilização e volta e meia um carro passa por nós. Temos que redobrar a atenção. Mariano havia falado de uma bifurcação que não prestamos muita atenção e na duvida paramos para esperar o grupo.IMG_2580

Chegamos a uma pequena vila onde um trovador deu o ar da graça e com o nome de todos os integrantes fez versos e os declamava em alto e bom som no meio da praça. Gente simples e hospitaleira, não queria nada em troca, somente sorrisos. Ele era como uma lenda viva do local. Me deu vontade de voltar La um dia, varias placas “vendiam”uma serie de aventuras locais….mais trilhas, rafting, cavalgadas, etc…

OPS!

OPS!

Depois de comer seguimos  e logo na saída a então noiva do Claudino cai e se machuca…nada serio, mas estava com o joelho bem ralado..dos males o menor pois o tombo pareceu ser serio. Seria esse o nosso medo ou ainda tínhamos alguma surpresa?

IMG_2594Novamente o ritmo de competição se instalou no grupo…ainda mais agora que atingimos o asfalto…começamos devagar, em pelotão respeitando a velocidade, logo um começa a passar pelo outro em uma sequencia de ultrapassagens que não tem fim.  Marcelo, Ezequiel, Ben, Vir, Regina, Loraine e eu formamos um pelotão e começamos a deixar o grupo para trás…padalamos um no vácuo do outro  se afastando dos demais…antes de chegarmos a um “perímetro urbano”o Mariano nos passa e segura o pelotão para os outros se aproximarem…

Passada a vila, ele sai da frente e diz que estamos liberados…saimos na frente Marcelo , Loraine e eu e os outros na cola….faltavam ainda 11km até a próxima vila. Tinha medo de não agüentar o ritmo…Marcelo abre e agora sou eu e Loraine…pedalando MUITO forte…olho para trás e vejo Marcelo um pouco atrás o Ben se aproximando e um pouco mais atrás o grande pelotão. As pernas já estão queimando..e descido usar as forças finais para um ultimo tiro….pedalo forte, e passo a canadense que a essa altura está vermelha e de cabeça baixa….abaixo a cabeça e vejo a velocidade do giro das pernas e forço ainda mais…vejo a sombra da minha bike ficando a frente da bike dela e por fim é como se ela tivesse desistido e passo por completo…fico de pé e forço um pouco mais…..olho para trás e vejo ela e o Ben bem mais perto. Mas já estou a uns 30 metros a frente ….me senti num tour de France….quando olho para frente e vejo o carro de apoio nos mandando parar….final de trajeto…IMG_2583

Parei e rapidamente Loraine e Ben param também…os demais vão chegando….nos agrupamos todos e saímos numa rua lateral para entrar no hotel…na entrada somos surpreendidos pela equipe nos dando um banho de champagne….momento especial…muitos choravam…não só pela emoção de missão cumprida…mas por saber que aquele era o ponto final de uma convivência tão agradável e tão intensa.IMG_2596

Nos jogamos na piscina, comemos, descansamos para um bom jantar com distribuição de medalhas e camisetas que fechou com chave de ouro essa aventura. Obrigado ao Mariano e equipe do MTB TOURS que fez dessa trip um experiência maravilhosa.IMG_2598

Anúncios

Desafio do Andes – Fevereiro de 2008

Estava sem treinar e precisava de um desafio que me estimulasse a voltar para o  esporte….o ritmo de trabalho tinha me dominado completamente e não achava tempo para nada. Minhas ferias estavam vencidas e tinha que sair, a Isa (minha mulher) teria que passar uns dias em Miami a trabalho. Mas estava sentindo falta de passar uns “perrengues” e ter um contato com o mundo alem do asfalto.

Por obra do destino, recebi um e-mail sobre uma travessia da Cordilheira dos Andes de bike www.mtbtours.com …pegar mais informações não faria mal algum. Com duas ligações não consegui segurar a ansiedade e já não via a hora de prepar os equipamentos e voltar a treinar…coordenei com a Isa a ida dela para Miami…ao final da travessia dos Andes encontraria com ela lá.

Consegui treinar apenas o suficiente para não fazer vergonha…mas sabia que com o passar dos dias ia melhorando. Assim no dia 15/02 desembarcava em Buenos Aires para um pernoite e no dia seguinte seguir para Malargue.

A travessia consiste em um pedal pelo Paso Vergara, de Malargüe na região de Mendonça (Argentina) até Curicó no Chile (2460 m). Num total de 310 km com muito desnível …basicamente 6 dias de subida e um de MEGA descida.MTB Tours Travesias de mountain bike, cicloturismo en Argentina, Uruguay y Chile - Patagonia y Cruce de los Andes en bicicleta_1249348566427

Cheguei em Malargue com um pouso desastroso…pensei na minha bike no porão do avião pois a pancada foi grande. Quando desci do avião no pequeno aeroporto olhei a cordilheira a minha esquerda, a visão me mostrou o tamanho do desafio que teria pela frente. Recolhi minha bike de um canto da esteira e fui procurar a Van da MTB Tours. Van encontrada comecei a trabalhar pois o motorista que nos levaria até o hotel estava meio desligado. Como minha bike iria sobre a van junto com outras e com bagagem, me ofereci para subir no teto e ajudar na amarração. No caminho vimos um pequeno tornado.IMG_2258

Na van alem de mim havia uma Canadense, um Frances, uma Finlandesa e mais TRÊS brasileiros. Apresentações feitas e pegamos a estrada. Na chegada tratei logo de montar a bike e sair para testá-la. Na volta encontrei com o resto do grupo (maioria argentinos) e fomos jantar. Naturalmente todas as brincadeiras entre Brasil x Argentina. Apos jantar…tentar segurar a ansiedade e dormir.

Primeiro dia de pedal Malargüe – Bardas Blancas – 67.5km – 774 metros de subida/740 metros de descida

Acordamos cedo e o Mariano nosso guia já nos esperava para fazer o breifing e vistoriar as bikes. Café da manhã, últimos ajustes e um pouco de giro no asfalto. De cara a bike da Finlandesa deu problema e eu e o Vinicius, o outro brasileiro, paramos para ajudar. Tinham realmente maltratado da bike dela no avião. O freio a disco estava todo empenado. Com isso perdemos contato com o grupo. Pedalamos forte 45 km e alcançamos o grupo para o almoço.  Paramos sob umas arvores, comemos e descansamos um pouco. Reunidos saímos novamente. Descemos boa parte do que já tínhamos subido num down Hill com muita, mas muita costeleta de vaca mesmo. Abandonei a manete de freio e desci como um maluco… agora sim a travessia tinha começado…que sensação boa do barulho de pedrinhas e areia batendo na bike e o vento no rosto.IMG_2269

Chegamos ao ponto de acampamento eu, o Ben (australiano) e logo depois Marcelo, um professor de educação física muito engraçado. Aproveitei para montar logo minha barraca, optei por levar a minha mesmo, que só cabe uma pessoa então tive a privacidade preservada assim como o sono. Me incomodava pensar em dividir barraca com alguém que não conhecia. Já tinha a experiência do caminho de Santiago quando nos albergues ficávamos perto do roçadores.IMG_2309

Tomei um banho quente no mercadinho, o último dos próximos dias. Fui fotografar o por do sol e depois jantar um típico assado argentino regado a vinho. Apos o jantar, o Ben sacou da mochila uma flauta doce e começou a tocar musica clássica.  IMG_2329Muito inusitado, a Lua já se formava, o frio começava e nós ali, no meio do nada ouvindo musica clássica, tomando vinho depois de um super churrasco. Que dia gosto, agora era só entrar na “Carpa” e dormir.

Acampar não é tão ruim assim

Acampar não é tão ruim assim

IMG_2324

Caminho de Santiago – capitulo 6 – pedalando e aprendendo

Caminho de Santiago – capitulo 5  IMG_2618

…Sair de Léon foi um pouco complicado, não achávamos as setas amarelas que nos guiam. Por coincidência encontramos com o nosso amigo piloto e achamos o caminho. O trecho era fácil, mas o calor estava muito forte.No meio da manhã paramos em Nazarife sob a sombra da igreja e aproveitaríamos para carimbar a credencial. Acabamos cochilando em sua calçada. Seguimos caminho e passamos por Hospital de Orbigo. Encontramos um italiano que trabalha com moda e vende para o Rio. Encontramos com ele um pouco antes de atravessar a ponte dos 300.

Ponte dos 300

Ponte dos 300

A ponte dos 300 tem esse nome pois segundo consta, no período áureo da cavalaria, um nobre do lugar, Don Suero de Quiñnones, no Ano Santo de 1434, nos quinze dias anteriores e posteriores do Dia de Santiago, resolveu desafiar quantos cavaleiros passassem pela ponte para quebrar lanças em nome de um grande amor. Foi um torneio em que teve o apoio de sua rica família e de nove ajudantes (mantenedores). Nesses trinta dias enfrentou 300 cavaleiros de todos os cantos da Europa, portugueses inclusive. Venceu todos… Depois vencedor e perdedores peregrinaram para Santiago, onde Don Suero depositou aos pés do Santo um bracelete da misteriosa dama por quem tanto tinham pelejado. Tempos depois foi morto por um outro cavaleiro.

IMG_2608Fim da moleza…de morro a cima e um calor descomunal…mas quando chegamos ao cume desse trecho, vimos um grupo de ciclistas descansando…parece que todos, como nós, sentiram muito a subida e o calor. Fizemos amizade com um casal suíço e descemos juntos até Astorga. Achamos o casal um pouco estranho. O cara ficava andando na frente e a menina não parava de ficar encarando…não sei se foi a curiosidade, pois o principal questionamento dela era como nos poderíamos ser brasileiros se parecíamos “ alemães”. Desfizemos o comboio e fomos dar uma volta na vila para soltar as pernas, visitamos a catedral, comemos um sorvete liguei em casa e…..cama!

Saímos ainda sentindo a subida do dia anterior…passamos pelo casal suíço e nos despedimos. O Paulo não estava muito bem, tinha dores no joelho e estava desanimado. O calor judiava muito e as subidas não terminavam. Estávamos a caminho da Cruz de Ferro e esperávamos a cada curva vê-la…mas nada…já não agüentávamos mais…então depois de uma curva, vimos um peregrino subindo empurrando uma cadeira de rodas. Isso nos fez perceber como é fácil o nosso caminho e a parar de reclamar…Mais uma vez o caminho nos ensina. Estava pensando nisso pedalando e me distrai…saí da trilha e pela primeira vez passei um susto real de queda…uma baita tremedeira nas pernas…mas foi só o susto. Finalmente chegamos a Cruz…IMG_2619

Abri o alforje e peguei a pedra que vínhamos carregando desde a Calzada Romana com um símbolo de sacrifício e para se livrar de maus pensamentos e pecados. Essa é a simbologia da Cruz de Ferro. Cada peregrino que passa ali joga uma pedra reapresentando seus pecado…é literalmente jogar a pedra na cruz. Hoje já ha uma pequena montanha aos pés da Cruz. Joguei essa e mais duas…aproveitei para jogar pelo pecados futuros não é mesmo. Tudo que subimos agora era só descida até Ponferrada…decidimos ir pelo asfalto para nos divertir com a velocidade…tiramos o pó dos capacetes já que na pratica só tínhamos usado no primeiro dia…mas agora iríamos precisar.

descida da serra

descida da serra

Descemos MUITO rápido…uma doidera…a bike fica muito instável com os alforjes, mas isso não impediu que atingíssemos 63 km/h. Paramos ao final da serra para tirar uma foto em um monumento…o único em que aparecia um referencia ao peregrino de bicicleta. Mais tarde descobrimos que um peregrino havia mIMG_2624orrido de bicicleta na descida da serra…ops!

Chegamos na cidade e fomos até o mercado…foi ai que rolou o único stress da viajem. Acho que estávamos cansados e de humor alterado…pois o motivo foi uma bobagem…que sanduíche iríamos fazer e que vinho iríamos beber…mas no final foi bom…pois como somos amigos, falamos o que queríamos falar e tudo resolvido. Viajar com alguém não é fácil…ainda mais numa situação como essa de cansaço físico e mental..qualquer coisinha pode irritar. Tem que conhecer muito bem a pessoa para respeitar seus momentos, ainda bem que esse foi o único stress…o Paulo é um baita brother e já fizemos varias viagens depois dessa.

Fomos consertar o pneu do Paulo que havia furado. Depois visitamos o Castelo Templário e voltamos para o Albergue onde tomamos duas garrafas de vinho e ficamos de papo até a meia-noite.

Todas as fotos desse dia

Caminho de Santiago

Vou começar os relatos de viagens pelo Caminho de Santiago. Foi uma das viagens mais marcantes que já fiz. Não tinha nenhuma pretenção religiosa, só queria pedalar os 900 kms que separam Saint Jean Pied de Port  de Santiago de Compostela.

Pesquisei um pouco e me decidi, iria dali a um mês e meio, daria tempo o sufuciente de prepara a bike e planejar os detalhes. Convidei o Paulo, amigo desde antes de vir morar em São Paulo que na hora topou.

Para os detalhes finais, visitei a Associação Amigos do Caminho de Santiago que dispunha de muita informação, documentários, mapas, dicas e até contatos de taxistas que possuem carros grandes o suficiente para carregar a bike.

Bikes Carregadas No dia 07/06/04 pedalamos os primeiros kms do Caminho. Depois de uma pequena dificuldade em montar as bikes (trouxemos a nossa do Brasil, seus nomes Magrela a minha e Favelinha a do Paulo) saímos de Rocesvalles e descemos a serra até Saint Jean Pied de Port na França para “começar do começo”. Lá, pegamos nossa Credencial, compramos nossa Vieira e voltamos a subir tudo que já tínhamos descido. A credencial é necessária para que durante o caminho você tenha acesso aos albergues da rota. Durante o percurso você vai carimbando por onde passou e ao final, em Santiago, recebe a Compostelana que é o Certificado de Conclusão do Caminho. É a representação das cartas de apresentação ou “salvo-conduto” dos peregrinos medievais.

Igreja de Roncesvalles

Igreja de Roncesvalles

A subida foi penosa, o sol estava forte e cada Km pareceia uma eternidade. Era a primeira vez que estávamos pedalando de verdade com a bike pesada e alforges carregados. Paramos em um rio para beber água e conhecemos um casal de senhores da Bélgica. Eles aparentavam ter por volta dos 70 anos e disseram que tinha saído de casa, na Bélgica, pedalando e agora estavam ali.  Aquilo foi bem motivador para continuar a subida, fiquei até com vergonha de achar díficil. Essa foi uma das coisas que aprendi no Caminho, a media de idade é na casa dos 45 – 50 anos…acho que é cultural. Vejo muita gente bem de saúde aqui no Brasil que se julga velho para algumas atividades, e lá vi mais de um caso como esse casal….Bem… sobe, sobe e sobe e finalmente avistamos a Cruz que marca o cume da montanha.

Nos instalamos no albergue e fomos assistir a missa do peregrino para pedir proteção para os próximos 800 kms. A Missa foi muito bonita realizada em uma igreja medieval e se repete desde a fundação. Você começa a entrar em um clima diferente. Jantamos com uns espanhóis e um deles voava de Paraglaider quando sofreu um acidente e caiu uns 50 metros. Ficou um ano de pernas para cima e hoje compete ciclismo nas Paraolimpíadas.

No dia seguinte saímos cedo para tentar fugir do sol, pela manhã é bem gostoso, até frio. Seguimos para Burguette pela trilha que foi espetacular. Furamos dois pneus. Paramos em Larrasoaña para carimbar a credencial e seguimos até Pamplona. Lá em Pamplona, já instalados no Albergue, conhecemos um inglês que viajava com a filha que por ter tido muitas bolhas no pé, ficariam por ali uns dois dias. Ficamos horas conversando, acho que ele estava apaixonado, pois só falava de amor, sentimentos, fé…estranho para um inglês.

Bem….dois dias de 17 já foram…amanhã tem mais….



Flickr Photos

Enter your email address to subscribe to this blog and receive notifications of new posts by email.

Junte-se a 3 outros seguidores


Audax Randonneurs São Paulo

Ciclismo de Longa Distância

DESAFIO RURAL

Ciclismo de longa distância por terra - Cicloturismo e afins

WordPress.com

WordPress.com is the best place for your personal blog or business site.

%d blogueiros gostam disto: