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A Primeira expedição a gente nunca esquece! Capitulo 01

No dia 10 de junho de 2002, pela segunda vez saía em ferias desde que fui morar em São Paulo, embalado pela minha paixão por 4×4, mundo outdoor e uma série de livros sobre expedições que havia lido (muitos estão aqui no Blog no link LIVROS), resolvi  fazer uma viagem sozinho. Ter ao menos um pouco dessa experiência e ver como me sairía. Foi assim que resolvi percorrer todas as praias do Sul da Bahia. De Itaúnas no Espírito Santo até Porto Seguro na Bahia.

Cheguei em Teresópolis e lá fiquei até dia 16, para ficar um pouco com a família e rever os amigos. Foi muito bom mas todos me perguntavam por que ir sozinho, que eu tinha que levar alguém. Não tinha um “por que” simplesmente queria ir. No dia 16 saí para tomar uma cerveja com os amigos e cheguei em casa as 4:00 da manha. Tudo bem, pois não tinha horário para sair, no entanto as 8:00 da manha já estava pronto. Saí sentido Além Paraíba em Minas Gerais, resolvi ir por ali ao invés de ir pela região dos lagos. Pensava em talvez voltar por lá e dormir em Rio das Ostras.

Depois de umas quatro horas dirigindo pelas estradas de Minas tomei o maior susto da viagem, um caminhão no sentido contrario teve seu capo aberto com a maior violência o que fez com que o pára-brisa quebrasse, aquilo tudo parecia estar acontecendo em câmara-lenta e o motorista sem nada ver e pneus travados veio em minha direção, fui indo o que dava para direita e o caminhão se aproximando. Passei com o carro totalmente pelo acostamento e vi pelo retrovisor o motorista sair do caminhão no acostamento da contramão.  Achei que isso podia ser um aviso para redobrar a atenção.

Passado o susto, o sono começou a pegar. Certamente à noite mal dormida tivera seus efeitos. Parei em um posto de gasolina muito curioso, cheio de replicas de aviões, tomei um energético com pastel (péssima combinação que “conversou” comigo o resto do dia) e segui meu caminho. Tinha intenção de fazer um caminho menos usual que havia lido a respeito, mas não achei a entrada da trilha, então segui direto para Barra da Conceição.  Já estava rodando uma hora e meia sem passar por ninguém e a noite caiu. Estava num enorme labirinto de eucaliptos e comecei a achar que estava perdido.  Não seria possível estar rodando há tanto tempo sem encontrar alguém e para melhorar a situação começou a chover. Estava cansado por ter dirigido o dia inteiro, com sono por praticamente não ter dormido e perdido, o que mais faltaria. Lógico, ficar sem diesel, nesse momento acedeu no painel à lâmpada indicando que o tanque estava na reserva.

Não podia estar tão perdido, sabia que estava perto do mar. Então pensei – vou para o leste que encontro o mar e certamente chego em Itaúnas ou vejo suas luzes. Peguei a próxima direita que achei e segui nela por alguns minutos, já estava cogitando parar e dormir, afinal não seria tão ruim assim com o barulho de chuva no carro. De repente vejo luzes, e ainda por cima vi ondas quebrando, confesso que fiquei orgulhoso de mim por um momento, daí vi que havia chegado em uma estação da Petrobrás, com uma labareda de fogo enorme saindo de uma pequena chaminé. A primeira coisa que pensei foi que ao menos diesel eu teria ali. Mas me enganei, sai do carro com uma capa de chuva, gritei por alguém, buzinei e nada. Fui recepcionado somente por alguns cães nada amigáveis que me fizeram voltar para o carro rapidamente. Seria engraçado se eu não estivesse acabado e agora molhado, de qualquer maneira dei risadas no carro me sentindo um idiota. Segui o caminho contrario até o ponto que entrei a direita em busca do mar e resolvi ir um pouco mais adiante. Poucos quilômetros a minha frente surgiu Itaúnas, não dava pra ver muita coisa pois a chuva estava bem forte agora, mas via o contorno das casinhas com luz dentro. Parei no primeiro local que estava aberto e com gente dentro.

O garçom foi muito atencioso e perguntou como estava o estado da estrada. Ligeirinho era o seu apelido, quando disse que eu morava em São Paulo ele me contou que já correra a São Silvestre varias vezes, seus amigos, no entanto fizeram cara de que a estória tinha pouca credibilidade. Mas foi um papo gostoso, ouvi o que se passa na cidade, tomei algumas cervejas, comi uma moqueca de siri que estava um pouco puxada no sal e fui para a pousada que Ligeirinho havia me indicado. A pousada da Nave de propriedade do Sr. Julio que foi super hospitaleiro. Ele, que também e escultor, me apresentou seu filho de nome Athos Epaminondas e o seu cachorro o Gente Fina. Assim como os nomes, a pousada era de estilo alternativo, com as portas e muitos moveis entalhados em madeira, mas muito limpa e acolhedora. O seu Julho me ofereceu um desconto espontaneamente por estar sozinho. Fui dormir com uma sensação boa de que apenas no primeiro dia de viajem já tinha passado por tanta coisa que não podia imaginar o que seria o resto dessa viagem.

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