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Capitulo 8 – Problema 01

000021A noite fez um frio tremendo mas dormir no carro é bom…principalmente porque não se tem a preocupação de alguém tentar roubar algo.. Acordei, fizemos um café, comemos alguns sucrilhos (com leite gelado, pois tinha deixado uma caixa fora do carro) e seguimos caminho…um visual lindo…a paisagem desértica ficando para trás e montanhas com neve cheias de pinheiros, rios e lagos transparentes descongelando a frente…mas a estrada não ajudava, curvas, curvas e mais curvas….subidas e decidas na beira de enormes precipícios o que nos obrigava a ter cautela na velocidade. Subíamos rapidamente a 4500 metros e voltávamos para foto19uns 1500 metros, varias vezes durante o dia. Ao passar por Abacay um comboio de caminhões em alta velocidade descendo uma estradinha de terra obrigou o Matteo a encostar o carro, eu já tinha passado por eles um pouco antes…pareciam não ter freio…logo depois, numa obra onde só passava uma carro por vez…o “controlador de trafego” mandou nós seguirmos, e enquanto passávamos, encontramos com todo transito no sentido contrario…O primeiro veiculo, um onibus descendo a toda uma rua de terra …outro susto…vimos que esse trecho era perigoso e tínhamos DSC08580que ter ainda mais cautela pois além da estrada ser “complicada”os motoristas não ajudavam. Sem falar que em todas as estradas ata aqui, o volume de animais na pista é enorme…já passamos por, vacas, foto17cavalos, porcos, burros, galinhas, lhamas, cabras, cachorros e mais uns dois tipos de lhamas que não lembramos o nome agora.
A uns 200km de Cuzco o Bagual aumentou consideravelmente  o barulho estranho…parei…abri o capô e não vimos nada de anormal…mas com o tempo o barulho foi aumentando e a uma determinada rotação a luz de bateria se acendia…logo conclui que o alternador tinha ido para o saco de vez. Isso me tirou um pouco o bom humor apesar das tentativas do Matteo pelo radio de me fazer apreciar a bela paisagem.

Praça das Armas

Praça das Armas

Chegando em Cuzco, com o transito bem complicado, foi a vez do Matteo perder o bom humor…paramos e ligamos para o Hotel que tínhamos visto no guia. O Sr. Lucas muito simpático e prestativo veio ao nosso encontro para nos guiar até o Hotel…Carros parados, check-in feito saímos para comer algo…pronto estava re-estabelicido o bom humor…acho que nos faltava  comida e cerveja.
Acordamos cedo, e no café da manha conhecemos um casal de brasileiro que vinham da bolívia. Ficamos conversando com eles um tempão trocando informações, eles quere muito um dia fazer uma viagem como a nossa…eles estão rodando a America do Sul de Onibus/avião e um carro daria mais liberdade. Levamos o Bagual a um mecânico indicado pelo Sr. Lucas, ele disse que era para ficar tranqüilo que a tarde me entregava o carro, pois era só o rolamento quebrado. Saímos fomos ao mercado de artesanato onde comprei um típico casaco local (que nunca mais usei) e depois a Praça das Armas, onde DSC08609a maioria dos turistas circulam e onde existem os melhores restaurantes. Almoçamos, trocamos dinheiro e encontramos com o Casal que havíamos conhecido pela manhã (Silvia e Vinicius). Os levamos até o mercado de artesanatos e fomos buscar o carro. Todo pronto voltamos para o hotel onde reclamamos do chuveiro que não esquentava o suficiente (era um conta-gotas de água morna…nesse frio que faz a noite …não rola). Nos colocaram num quarto bem maior e com um chuveiro bom dessa vez.
Procuramos um Cyber para enviar o “diário” e depois fomos jantar com o Vinicius e a Silvia e fomos a um restaurante meio balada…se chamava Mama África. Até as 10 a cerveja tinha um preço, depois ficava 30% mais cara. Com nossos argumentos deixamos a garçonete louca, mas não teve jeito.  O ambiente meio undergrownd bem legal se transformou quando num passe de mágica começou a tocar Axé Music e um grupo dançava no palco no  melhor estilo Dança do Tcham. Como esse não é o meu forte….Fomos dormir pois tínhamos que acordar cedo para ir para Machu Picchu.

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Capitulo 7 – Linhas de Nazca

Fomos despertados às 6hrs pelos guardas da estrada batendo no vidro do carro,  eles perguntaram se estava tudo bem e agradeceram o chocolate mais uma vez.DSC08531 Seguimos viagem para Nazca, pela PanAmericana, a estrada se aproximaria do litoral a partir de Camana, onde acreditávamos seguiria até Nazca sempre acompanhado o litoral. Foi o que quase aconteceu,  não fosse as várias serrinhas  durante o percurso. Realmente saindo do nível do mar e subindo, subindo subindo e depois de volta ao nível do mar. Em compensação a paisagem era alucinante, mar transparente e esverdeado com ondas altíssimas que se chocavam nas pedras, com direto até a Baleias…..mas realmente foi cansativo e com a sensação de que o dia não rendeu. O barulho no bagual está aumentando e a água continua a sumir…tive uma idéia. Espalhei talco por todo o reservatório e mangueiras para ver se há algum vazamento. O nível de óleo do motor não subiu e o óleo esta (acho) com sua viscosidade normal, isso indica que a água não passou para o motor. Chegamos em Nazca e fomos procurar hotel e algum lugar para comer. Antes achamos o cyber café para mandar o diário para o Alberto e ver os e-mails. Vale dizer quDSC08557e a experiência foi muito legal…o pessoal mandando e-mail parece que estão viajando conosco. Achamos um restaurante simpático e conhecemos umas meninas de Israel, ficamos um bom tempo de papo com elas, enquanto comíamos um belo espaguete com a mais pura cerveja local, elas visitaríam o Brasil em agosto.  Acordamos ansiosos para fazer o Vôo sobre as Linhas de Nazca que até hoje são um mistério para todos, não se sabe se que as fez foi uma civilização antiga ou ETs. Por sua perfeição e simetria dificilmente poderia ter sido construído por “Índios”. No entanto, os Astecas e os Maias provam que povos antigos desenvolveram sua própria tecnologia. Para a nossa infelicidade o tempo estava fechado. Impressionante, faz nevoeiro duas vezes por ano naquela cidade…tinha que ser conosco lá. Tomamos café com calma e aproveitamos para dar uma geral nos carros e trocar os óleos (azeite aqui). Seguimos até o aeroporto e ficamos respondendo a um monte de perguntas que os pilotos nos fizeram quando viram os carros…foi bom, pois fizemos amizade, trocamos adesivos, e o tempo passou rápido até os vôos começarem…000007o Cmte. Campoblanco fez questão de nos levar e prometeu um vôo mais longo. Enquanto isso conhecemos uma Canadense que vai ficar um ano viajando, com um papo muito agradável nos contou suas aventuras pela América do Sul.

O Astronauta - única imagem não simétrica

O Astronauta - única imagem não simétrica

As linhas realmente são impressionantes, o simetria e o tamanho são incríveis, mas o vôo não foi dos melhores, ventava muito e começamos e enjoar…até mesmos por que alguém no avião (de 6 lugares) estava com um bafo animal de não dar para aguentar…após algumas fotos e minutos de filmagem das figuras, estávamos voltando.

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Assim que pousamos, aconteceu algo que não se via a muito tempo na região…uma enorme tempestade de areia…não se via 10 metros a frente…pegamos os carros na duvida se seguiríamos ou ficaríamos por lá.

000010 Mas como logo iríamos subir uma serra, achamos por bem seguir caminho…logo estávamos acima da tempestade e não conseguíamos ver a cidade abaixo de nós…como saímos muito tarde, o dia não rendeu…140 km depois já estava noite e resolvemos dormir. Paramos os carros num posto a beira da estrada um pouco depois de Puquio. Fizemos o banquete de macarrão e sopa instantâneos e dormimos.

Capitulo 3 – A subida dos Andes

03/06/03000014
Saímos de Pousadas as 4:50 da manhã sentido Salta, depois de termos dormido no carro em um posto de gasolina…choveu MUITO a noite e o vento nos fez pensar que o posto ia voar, o barulho da chuva no carro de aluminio era enorme…acabou a luz  e o pessoal do posto ficou meio agitado…era a primeira noite que dormia no carro e fiquei um pouco preocupado….mas com 15 minutos de chuva resolvi aproveitar o barulho da chuva para dormir bastante.
Passsamos o dia na estrada, até as 7:30 era noite e ainda chovia muito o frio era muito forte. Havia muitos postes tombados na estrada…acho que a chuva realmente foi muito forte. Chegamos na maior reta que já vimos até hj (se não é a maior do mundo) cruza quase todo norte da Argentina, metade dela é 000023muito boa o que fez com que mantivéssemos uma boa velocidade…mas o final dela é terrível, DSC08419aproximadamente uns 40 km de muito buraco…rodamos aproximandamente 600km de reta….para tirar a monotonia, as vezes saia do asfalto a andava na terra…colocava o pé pra fora…tudo para inventar o que fazer…fomos parados três vezes pela policia e em duas tivemos que “ajudar” ( la colaboracion)com a pintura do posto policial…primeiro com 10 pesos e depois com 3 pesos…o fluxo de animais nesse trecho tbm é enorme…diversas vezes fomos surpreendidos por porcos, cabras, vacas, ovelhas e cavalos cruzando a pista.
No final do dia, começávamos a ver no horizonte os Andes, a vegetação foi mudando bem como o relevo , o visual foi demais…agora tinha cara de expidição mesmo…já dormimos no carro, já era raro cruzar com alguém na estrada, a paisagem diferente do que estamos acostumados…
Chegamos a Salta com aproximadamente 3 graus e um vento forte…paramos num hotel, fomos comer um bom bife num restaurante local e depois de uma garrafa de vinho o descanso merecido.

Animais na pista

Animais na pista

Rodados – 1156 Km
V. media de 85 Km/h
Max. De 140 Km /h
Tempo rodando – 13:35

Total até aqui 2691.9 Km

04/06/03

Acordamos em  Salta e fomos para um Cyber Café para atualizar o Alberto com as noticias e ele colocar no site.

Partimos por volta de 9:30 rumo a Jujuy onde procuravamos um posto com um “cara melhor” para abastecer, Jujuy tem um modo proprio de dirigir, niguem respeita muito regras de transit…o Matteo se estranhou com um taxista que deu uma baita fechada..
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Pela primeira vez os perdidos se perderam para pegar a Ruta 09 sentid Paso de Jama. Depois de apróximandamente um 200 km de estrada  a uma altitude de 4000m (media) achamos que os Andes já estavam ficando para trás, foi quando percebemos uma placa que dizia: “Paso de Jama – 260 Km”
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Não tínhamos nem chegado na metade do caminho. Pegamos uma estrada de terra muito boa no inicio mas do meio para o fim muita “costeleta”. A paisagem era inacreditável, a cada curva uma surpresa. Eu me enfiei até uma duna “andina” e por pouco não atolei…sai do carro para tirar fotos e a porta se trancou mais uma vez com a chave dentro e o carro ligado (isso já tinha acontecido uma vez na rod. Dutra a noite, péssima experiência), dessa vez a porta traseira estava aberta…mas o susto foi bom…chegou a dar aquela tremedeira nas pernas. Cruzamos pequenos Salares, alguns corregos, vimos poucas Ilhamas no horizonte.
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Senti um pouco a subida, um pouco de dor de cabeça, num dado momento sai do carro para tirr uma foto e subi num morrinho correndo…meu coração veio na boca.

Começou a  anoitecer e chegamos a aduana Argentina, pensamos em dormir por lá, mas o guarda nos acnselhou a tocar até SP Atacama pois a temperatura chegaria aos 25 graus a baixo de zero.DSC08469
Tampamos o radiador do Matteo e com a calefação no Maximo seguimos adelante. Realmente espantoso, pois o motor dos jipes ia esfriando com os carros ligados.DSC08475

No topo dos Andes ( +-4900 metros) a água do para-brisa congelou e o carro parecea uma geladeira. Passamos por muita neve, paramos para tirar algumas fotos mas o frio e o vento eram insuportáveis…

Chegamos em SP Atacama as 10:00hs, depois dos trmites aduaneiros (sem problemoas) seguimos para o “point”da cidade…comemos um pouco e fomos procurar um Hotel…

Pela indicação do garçom procuramos um hotel que não existia, pegamos o guia e fomos para o Hotel Chiloe, onde um cara pra la de bêbado e falando inglês nos atendeu…o engraçado foi ver o Matteo negociando preço com um Chileno, boracho, falando inglês o doido para voltar para balada…

Rota do dia
Rodados 578 Km
Vm 55.4Km/h
Tempo 10:20 hs
Max. 135DSC08481

Os Jipes

Meu Jipe se chamava Bagual,000011

O Bagual é um Land Rover Defender 90, com alguns acessórios como: guincho, faróis de neblina, snorkel, cama (sim, uma cama), etc…

Bagual adj. e s. m. , Brasil ,
cavalo branco;
cavalo arisco;
cavalo que se tornou selvagem

Esta é a melhor definição para o carro. É também um termo usado no Sul para adjetivar o gaúcho mais ” rústico”.
Sim, ele pula, você dirige meio torto, faz barulho, tem um conforto duvidoso….mas vai looooonge!

DSC08409

O Carro do Matteo era uma Land Rover Discovery tratada a pão de ló…como ele mesmo dizia tinha jeito de Motor Home tamanho seu conforto. Como já disse no primeiro post, foi retirado o banco traseiro para dar lugar a um colchão.

Disco

Perdidos no Atacama – Capitulo 2 – Primeira Fronteira

Capitulo 2 – partida de Expedição de Verdade
Aproveitávamos cada momento…até a noite em que adesivamos os carros foi motivo para reunir o grupo e tomar uma cerveja…decidimos então que teríamos que fazer uma despedida oficial. Aproveitamos então um evento no sitio de um amigo para reunir a “turma”para fazer nosso bota-fora. DSC08392
Assim no dia 31/05/2003 (Sábado) às 8:00 da manhã, saímos de São Paulo sentido Araraquara. Com um comboio de oito carros chegamos ao Sítio Boa Esperança, um lugar é maravilhoso e o calor dos amigos faz o lugar ficar melhor.  O Prato foi o famoso Carneiro no Buraco, feito pelo Pirola. Um prato DSC08393maravilhoso que tem todo um ritual para ser preparado. O prato leva 12 horas para ficar pronto. Reza a tradição que o convidado que vem de maior distancia tem a honra de acender o fogo do buraco (sem duplo sentido). Nessa noite uma convidada que veio do Rio Grande do Sul teve esse direito…o que ela não entendeu é que deveria jogar a tocha de longe não buraco e não aproximar-se calmamente e ainda ficar olhando. A Explosão foi enorme e por pouco ela não fica …bem passada!
Papo vem, papo vai…está na hora da foto da despedida. Meus pais também estavam lá o que aumentava muito a emoção do momento..minha e deles. Depois de tantos momentos agradáveis com o pessoal, dar partida no carro estava ficando difícil. Estávamos muito ansiosos para partir, mas ao mesmo tempo queríamos desfrutar mais da companhia de todos.
Na hora do tchau, todos tinham algo para dizer, uma dica para dar, um conselho ou uma mensagem para deixar. Mais um beijo nos meus pais e bati a porta do carro. Primeira, segunda e olhar pelo retrovisor e ver a galera se despedindo… não deu para segurar as lágrimas.  Tinha esperado tanto por esse momento…
…mas estávamos na estrada com um novo objetivo pela frente e sem saber o que esperar.  De cara já tive um “presta atenção para baixar a ansiedade: antes de nos despedirmos do estado de São Paulo, tomei uma multa por ultrapassar em faixa dupla. Seguimos sentido Londrina e acabamos esticando até Maringá. Depois de rodar durante 40 minutos, achamos um hotel onde podíamos guardar nossos jipes. Saímos para comer uma pizza e tomar uma cerveja. Rodamos aproximadamente 450 km nesse dia.DSC08395
No dia seguinte, acordamos às 6:00, tomamos café e partimos para a estrada às 8:00 com o destino final Posadas, na província de Misiones. O meu carro estava com um cheiro péssimo, e como tinha passado numa lama fedorenta achei que fosse isso. Depois de 1 hora rodando, paramos para abastecer, pedi para jogar uma água por baixo do carro, para tentar me livrar do cheiro…mas nada. Depois de um bom tempo de novo parei o carro por não achar possível que pudesse estar fedendo tanto…mas não tinha nada no carro. Comecei a achar que alguém pudesse ter me pregado um peça na despedida ( a galera é muito zoadora)
Por desencargo de consciência, resolvi olhar meu pé e vi que tinha pisado num coco. Sem comentários. Para melhorar, o Matteo tirou uma foto da cena lastimável: eu passando Baby Wipes na bota. Felizmente, ele não percebeu que a máquina não tinha filme. (sim, tínhamos uma maquina digital e uma ainda com filme)000032
Tocamos sentido Foz do Iguaçu e de lá partimos para a Argentina. Perdemos mais ou menos uma hora na fronteira, pois a guarda criou problemas com as peças sobressalentes que carregávamos. achava que era contrabando. Aproveitamos para trocar dinheiro, os primeiros pesos e seguimos viagem.

Uma hora depois, fomos novamente parados pela policia e achamos que teríamos que dar mais explicações, mas dessa vez sem problemas.
Uma longa viagem compensada por um belo pôr do sol. Chegamos a Posadas por volta de 7:00. Encostamos num posto, tomamos umas Quilmes, comemos um Cup Noodles e agora vamos dormir nos carros, dentro do posto, que tem um bom banho.
Vale dizer que fizemos algumas adaptações nos carros. Dentre outras coisas, optei por fazer uma cama de madeira dobrável dentro do carro que realmente ficou muito boa, já o Matteo preferiu tirar o banco da sua Discovery e deixa-la como um furgão.


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