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Caminho de Santiago – Capitulo 3 – Galo, Galinha e Borracho

Caminho de Santiago – Capitulo 3

…hoje resolvemos tomar um café da manha com calma. Estávamos muito doloridos. Não só as pernas…mas achar uma posição para sentar está mais difícil. Saímos devagar e ainda bem que o trecho é bem plano. Uma estradinha de terra entre vinhedo e trigos, realmente uma paisagem linda. O trigo balançando ao vento parecia um mar com o movimento das ondas. Tentamos filmar para mostrar, mas nada reproduz aquela cena. Passamos em um trecho onde cada peregrino faz um montinho de pedra. Não descobrimos a simbologia daquilo…mas na duvida fizemos também…IMG_2488
Como o caminho estava ótimo, chegamos cedo a San Domingo de La Calzada, podíamos seguir um pouco mais…mas realmente hoje estamos muito cansados e resolvemos ficar. Hoje tomei um Dorflex e fui obrigado a usar Hipoglós , isso mesmo, não vale rir, mas assei como um bebe. Aproveitamos para lavar a roupa que a essa altura já quase andava sozinha. Almoçamos um bom menu peregrino e … ”ciesta”.

Menu Peregrino

Menu Peregrino

O menu peregrino é perfeito e tem por todo caminho, é um prato feito, normalmente bem calórico para repor as energias, pão a vontade uma garrafona de água e uma de vinho mais a sobremesa.
Acordamos e demos uma volta pela cidade. Sentamos na praça em frente a Igreja de San Domingo que tem dentro dela em uma gaiola dourada um galo e uma galinha. Transcrevo aqui a lenda do Galo e da Galinha.
Conta a tradição, que chegou a Santo Domingo de la Calzada um casal de peregrinos procedentes de Ad Sanctis (Xanten), com seu filho Hugonell.
Uma jovem que trabalhava na hospedaria onde se alojou o casal apaixonou-se pelo rapaz, mas este a repudiou.  A jovem magoada decidiu vingar-se colocando na bagagem do jovem um copo de prata para que ele fosse acusado de furto. Hugonell foi preso, julgado e condenado a forca.
Milagrosamente o jovem Hugonell não morreu porque Santo Domingo de Calzada conservou sua vida. Seus pais foram imediatamente ao Corregedor da cidade e contaram o acontecido, prova de que seu filho havia sido condenado injustamente. Incrédulo o Corregedor contestou e disse: “_ Seu filho está tão vivo como este galo e esta galinha que como agora!”. Naquele exato instante, o galo e a galinha saltaram do prato do Corregedor e se puseram a cantar.
Desde então, se diz o famoso verso:
“Santo Domingo da Calçada,
Que fez cantar a galinha depois de assada.”
Em lembrança deste acontecimento, se mantém um galo e uma galinha vivos, sempre de cor branca, durante todo o ano em um belo galinheiro gótico na Catedral da cidade.
Pois bem…ficamos na praça observando as pessoas, nada galos e galinhas. Fizemos umas compras para um lanche a noite, que acabamos comendo na praça e tivemos que voltar para comprar tudo novamente. Antes de voltar para o albergue achamos um cyber café (se é que pode se chamar uma sala com 3 computadores de cyber) e checamos os e-mails e mandamos noticias. Antes de dormir alonguei um pouco para ver se amanha estou melhor.

… 12 de junho…feliz dia dos namorados. Com o galo cantando (não agüentei a brincadeira) saímos  em direção a San Juan Ortega. Estamos

Chuva-Frio-Neblina

bem melhor hoje…descansados e de roupa limpa …estávamos com os ânimos renovados. Ainda bem, porque logo que saímos começou a chover e com a chuva veio o frio. Pedalávamos molhados e cheios de roupa, a neblina baixou e não enxergava 20 metros a nossa frente. Mesmo assim chegamos cedo a San Juan Ortega. Tão cedo que a hospitaleira do albergue não permitiu nossa entrada. No caminho, o peregrino a pé tem prioridade nos albergues e o ciclista so pode entrar depois das 4 da tarde se tiver lugar.
Sentamos em uma bodega para ver o mapa e decidir o que fazer. Pedimos uma cerveja e ficamos discutindo as opções. Nesse momento um casal que estava na mesa ao lado se apresentou, um Italiano Filosofo chamado Lorenzo e uma Australiana MUITO doida chamada Kim.

Borracho

Borracho

Eles perguntara o porque de estarmos tomando cerveja se era pior e muito mais cara que o vinho. Dai nos ofereceram uma garrafa que aceitamos para não fazer desfeita e em seguida pagamos outra para eles. Nessa brincadeira foram 6 garrafas. Depois um senhor local que estava mais bêbado que nós quatro juntos ficou sacaneando o Paulo por conta da calça de lycra. Logo depois o Paulo , Kim e Lorenzo foram jogar futebol com as crianças locais…como futebol nIMG_2530ão é o meu forte fiquei tirando fotos.
Decidimos seguir para a próxima vila e os dois resolveram nos acompanhar. Chegamos em Olmos e nenhum albergue tinha lugar, voltamos um pouco e paramos em Atapuerca. Sentamos e tomamos mais um vinho, cantamos contamos causos e como eu e o Paulo estávamos solteiros fizemos umas ligações para o Brasil …afinal era dia dos namorados….
Dormimos bem “alegres”…a Kim resolveu ficar e o Lorenzo seguiu caminho…

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Caminho de Santiago

Vou começar os relatos de viagens pelo Caminho de Santiago. Foi uma das viagens mais marcantes que já fiz. Não tinha nenhuma pretenção religiosa, só queria pedalar os 900 kms que separam Saint Jean Pied de Port  de Santiago de Compostela.

Pesquisei um pouco e me decidi, iria dali a um mês e meio, daria tempo o sufuciente de prepara a bike e planejar os detalhes. Convidei o Paulo, amigo desde antes de vir morar em São Paulo que na hora topou.

Para os detalhes finais, visitei a Associação Amigos do Caminho de Santiago que dispunha de muita informação, documentários, mapas, dicas e até contatos de taxistas que possuem carros grandes o suficiente para carregar a bike.

Bikes Carregadas No dia 07/06/04 pedalamos os primeiros kms do Caminho. Depois de uma pequena dificuldade em montar as bikes (trouxemos a nossa do Brasil, seus nomes Magrela a minha e Favelinha a do Paulo) saímos de Rocesvalles e descemos a serra até Saint Jean Pied de Port na França para “começar do começo”. Lá, pegamos nossa Credencial, compramos nossa Vieira e voltamos a subir tudo que já tínhamos descido. A credencial é necessária para que durante o caminho você tenha acesso aos albergues da rota. Durante o percurso você vai carimbando por onde passou e ao final, em Santiago, recebe a Compostelana que é o Certificado de Conclusão do Caminho. É a representação das cartas de apresentação ou “salvo-conduto” dos peregrinos medievais.

Igreja de Roncesvalles

Igreja de Roncesvalles

A subida foi penosa, o sol estava forte e cada Km pareceia uma eternidade. Era a primeira vez que estávamos pedalando de verdade com a bike pesada e alforges carregados. Paramos em um rio para beber água e conhecemos um casal de senhores da Bélgica. Eles aparentavam ter por volta dos 70 anos e disseram que tinha saído de casa, na Bélgica, pedalando e agora estavam ali.  Aquilo foi bem motivador para continuar a subida, fiquei até com vergonha de achar díficil. Essa foi uma das coisas que aprendi no Caminho, a media de idade é na casa dos 45 – 50 anos…acho que é cultural. Vejo muita gente bem de saúde aqui no Brasil que se julga velho para algumas atividades, e lá vi mais de um caso como esse casal….Bem… sobe, sobe e sobe e finalmente avistamos a Cruz que marca o cume da montanha.

Nos instalamos no albergue e fomos assistir a missa do peregrino para pedir proteção para os próximos 800 kms. A Missa foi muito bonita realizada em uma igreja medieval e se repete desde a fundação. Você começa a entrar em um clima diferente. Jantamos com uns espanhóis e um deles voava de Paraglaider quando sofreu um acidente e caiu uns 50 metros. Ficou um ano de pernas para cima e hoje compete ciclismo nas Paraolimpíadas.

No dia seguinte saímos cedo para tentar fugir do sol, pela manhã é bem gostoso, até frio. Seguimos para Burguette pela trilha que foi espetacular. Furamos dois pneus. Paramos em Larrasoaña para carimbar a credencial e seguimos até Pamplona. Lá em Pamplona, já instalados no Albergue, conhecemos um inglês que viajava com a filha que por ter tido muitas bolhas no pé, ficariam por ali uns dois dias. Ficamos horas conversando, acho que ele estava apaixonado, pois só falava de amor, sentimentos, fé…estranho para um inglês.

Bem….dois dias de 17 já foram…amanhã tem mais….



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