Posts Tagged 'Sul da Bahia'

Capitulo 5 -Barra do Cahy – Ponta do Corumbau

Saí por uma estradinha ruim e não conseguia achar o caminho com tantas bifurcações que sempre me levavam ao topo de uma falesia ou a uma porteira trancada. Em uma das vezes que eu buscava um novo caminho vejo uma saveiro se aproximando com duas pessoas na cabine e uma na caçamba. Quando pararam ao meu lado vi que era o casal que jantou comigo ontem com o guia contratado. Ofereci carona para o Fernando que estava na caçamba e me juntei a eles para conhecer as redondezas.

Realmente valeu a pena, visitamos lugares incríveis. Uma fazenda abandonada com uma linda casa que se chegava por uma ponte de cordas,  na beira da praia, toda de vidro e no banheiro o box era feito de um tronco de arvore oco…como uma canoa. Muito bonito…pegamos uma trilha e chegamos em um pequeno lago formado por uma represa onde o cano de o era tampado por um coco. Descemos para a outra ponta do cano e o guia retirou o coco….tomei um tapa na nuca com a força da agua que quase me derrubou…equilibrio retomado e uma ducha realmente revigorante.

Monte Pascoal ao Fundo

Seguimos então para Barra do Cahy – Local do primeiro desembarque dos portugueses em terras Brasileiras. Ponto de avistamento do Monte Pascoal – marco do descobrimento do Brasil.

Muito bonito e completamente vazio….mais um banho de mar seguido por um de rio para tirar o sal e me despedi dos novos amigos. Eles voltaram para Cumuruxatiba e eu segui para Corumbau. O caminho até corumbau estava de fato muito ruim…muita lama, longos trechos alagados, mas passei sem maiores sufocos.

Chegando em Corumbau fui procurar uma pousada. Corumbau tem apenas 300 habitantes e tudo gira em torno da pesca e do resort que lá existe. Na língua pataxó, Corumbau significa algo como “lugar distante” ou “longe de tudo”, provável alusão à pequena península que invade o mar azul por cerca de 500 metros, dando a sensação de se estar em uma região extraordinariamente remota.

Resolvi dar uma “geral”no carro e no equipamento de mergulho, tirar a areia e lavar tudo com água doce. Quando acabei resolvi dar uma descaçada e peguei no sono. Acordei com uma fome de matar, olhei pela janela e já estava quase noite. Como era o ínico hospede da pousada não havia nada para comer. Fui dar uma volta e me deparei com uma lua gigante sobre a agua…pena que as fotos não saíram…mas aquela imagem ficará guardada na minha memória…fiquei um pouco melancólico…queria dividir aquilo, comentar com alguém…nas ruas já não havia “vida”e fiquei um pouco deseperado…queria um pouco de civilização, de agito. A combinação não era boa, melancolia, fome, cansaço um pouco de tédio, afinal os dias eram agitados, mas estava acordando as 5:00 todos os dias e indo dormir as 8:00.

Foi então que vi uma casa com uma porta semi aberta escrito, Bar do Lourinho. Parei o carro e bati na porta, veio me atender o “Lourinho” que me disse estar fechado (e que de Lourinho não tinha nada). Disse pra ele que estava faminto e que não havia nada em lugar nenhum para comer…sensibilizado me ofereceu um sanduiche “dukitem”. Não entendi a principio, mas com a fome que estava não hesitei…dai ele foi abrindo a geladeira e dizendo…tem ovo, tem tomate, tem queijo…dai entendi…o sanduba era “do que tem” ainda para servir. Dei risada e pedi uma cerveja…então ouvi vozes perto do carro, fiquei desconfiado e abri a outra porta do bar. Dois “nativos” olhavam para carro e comentavam algo. Entraram no bar e cumprimentaram o Lourinho, naturalmente todos se conhecem. Me perguntaram se eu havia chegado hoje, pois a estrada estava bloqueada. Quando disse que sim focaram surpresos. A dona da pousada também chegou e resolvi oferecer uma cerveja para todos. Mais um pouco e chegou o carroceiro da cidade. Quando vi já éramos 6 pessoas de papo e bebendo cerveja…me diverti muito ouvindo os causos de corrida de carroça, atoleiros, mortes por vingança, éguas, galinhas, corais, etc…foi muito bom…ri muito. Me convidaram para uma feijoada amanha, mas acho que vou seguir caminho, estou pensando em ir para arraial d’ajuda e de lá ficar rodando as praias.

Foi uma noite muito especial…não estava legal, daí conheço pessoas muito legais, super simples, papo rolando solto como se nos fossemos amigos de longa data. Gente simples e de bom coração…bom…muito bom…

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De volta a Terra Firme – Capitulo 4

Fui dormir ainda com a imagem do por do sol em Abrolhos na minha cabeça. Que lugar magico…espero voltar um dia. Quem sabe eu mesmo “comandando”um barco.

Por do Sol no Farol

Tomei café em Caravelas e saí para explorar as praias ao seu redor. Alcobaça, Prado, Cumuruxatiba e as praias menores repletas de falésias como a de Tororão que tem uma pequena cachoeira de água doce.

Tororão

Passei o dia inteiro rodando de um lado para o outro procurando estradinhas ruins e praias desertas…foi o que achei.

Como não tinha tabua das marés, eu não abusava muito. Quando via que a agua estava chegando perto do carro dava um jeito de sair dali. Passei por dentro de algumas fazendas, abri algumas porteiras, mas não cruzei com ninguem.

Em Cumuruxatiba, resolvi que não iria ficar em pousada hoje, iria acampar. Parei em uma padaria e perguntei se alguém me indicava uma praia para motar a barraca. Me sugeriram um camping Sol e Lua. No entanto eu queria acampar na praia, ouvir o barulho do mar. Mas eles incistiram que nessa época do ano não haveria ningúem lá e nesse camping seria o mais perto da agua que eu poderia ficar, pois acampar na areia ser certeza de acoradar flutuando com a alta da maré.

Aceitando a sabedoria do povo local fui visitar o camping…e realmente só minha barraca estava estendida na faixa de areia em frente a praia.

Saí para jantar num simpatico restaurante da cidade. Aproveitei para escrever e olhar nos guias que tinha, todas as praias que passei hoje. Acabei conhecendo um casal do Espirito Santo que ficaram curiosos me vendo com tantos papeis…acharam que fosse reporter. O papo começou e eles se transferiram para minha mesa, ajudei eles a montar um roteiro pois eles seguiriam para o sul e pensavam em visitar abrolhos. Para o dia seguinte eles já tinham contratado um guia para mostrar a região.

Me despedi e voltei para minha barraca. Ventava muito agora, mas a lua estava muito prateada refletindo no mar. Desliguei os farois e segui assim por um tempo.

As 20:00 já estava me preparando para deitar na barraca. Inflei meu colchão de ar e estendi o saco-de-dormir bem a tempos de o vento começar a ficar bem mais forte. Posicionei o carro de maneira a proteger um pouco a barraca. No meio da noite acordo com uma baita chuva caindo….me certifiquei que não estava entrando agua na “tenda”e voltei a dormir com aquele barulho gostos. Pela manha fui correr na praia enquanto a barraca secava.


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