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Capitulo 2 – Sobe, Sobe e Sobe!

Capitulo 2

Dia 18/02 – Bardas Blancas – Las Loicas- 37.5 km – 330 metros de subida/160 metros de descida

A noite foi um pouco complicada, apesar de estar sozinho na barraca, montei-a muito junto de outra que tinha alguém que roncava muito…tive pena de quem estava junto na barraca. Mas quando abri a barraca tive uma bela visão do céu muito azul por entre as arvores.IMG_2335

Na saída de Lãs Blancas ainda tivemos 14 km de asfalto até começar o passo propriamente dito. A essa altura o Mariano já observará como cada um pedalava e coordenava o ritmo…o que alias foi espetacular, você pedal no ritmo que quiser, só sendo obrigatório estar junto na aduana. Muito bom mesmo. Nesse trecho de asfalto, um grupo acelerou …corri atrás deles para não perder o vácuo…foram uns 10 km de pedal forte.

Pelotão de velocidade

Pelotão de velocidade

Paramos para esperar os demais e passar pela policia, que não exigiu nenhum documento. Seguimos agora pela estrada de ripio (mistura de terra com pedrinhas) margeando um rio de águas cristalinas por aproximadamente 37 kms. IMG_2344Passei uma boa parte desse trecho conversando com Ben que me disse trabalhar 6 meses e viajar seis meses….nada mal. Passamos por um cavalheiro MUITO bêbado…tentei fazer contato e ele mal falava, mas pelo que entendi ele não acreditava que iríamos atravessar os Andes de Bike e disse que iríamos congelar lá em cima. Não dei muita credibilidade…o sujeito estava tomando vinho numa embalagem longa-vida.

Boracho

Boracho

Chegamos a Lãs Loicas cedo e aproveitei para tomar banho no rio enquanto ainda estava com o corpo quente.IMG_2349 Agora água quente só no Chile. Como o rio é formado pelo degelo da cordilheira, da pra imaginar a temperatura da água…na verdade, quando você entra, parece que está queimando de tanto frio, depois fica frio mesmo e por fim você se acostuma.IMG_2353

Frio é psicológico - brrrrrrrrrr

Frio é psicológico - brrrrrrrrrr

Voltamos para montar as barracas e fiquei de papo com o  Ezequiel, Regina, Gastón, Virginia e Marcelo. Falávamos das cultura, política, das diferenças entre Brasil e Argentina….o quão absurdo era por vezes achávamos mais fácil falar em inglês do que em Espanhol ou Portunhol ou qualquer tentativa de língua latina.  Surreal! Mas, tomamos um mate, uma cerveja chamada ANDES IMG_2364e demos boas risadas…mais tarde uma bela refeição e um bom vinho para dormir…alias vale ressaltar que os jantares todos os dias foram maravilhosos e o pessoal do “staff”sempre num super astral e dando a maior atenção a tudo.

Dia 19/02

Las Loicas – Puesto Doña Angela- 49 km – 620 metros de subida/410 metros de descida
Logo no inicio do pedal passamos pela alfândega Argentina e cruzamos o Rio Chico e seguimos sempre pela margem esquerda do Rio Grande que corre sempre pelo impotente Valle Grande. Ai começa a brincadeira de gente grande…as subidas vão ficando mais significativas, pedalei um bom tempo sozinho…lembrei do caminho de Santiago com o barulho hipnótico do pneu na terra. Comecei a ver no alto das montanhas os primeiros vestígios de neve., mas o calor era grande. IMG_2374Paramos para almoçar e depois do almIMG_2416oço encontraríamos um bom desafio, um longo trecho de areias fofas muito difícil de se transpor sem empurrar a bike. Seguimos Beanie (canadense) Marcelo e eu, primeira pedaço e ok, parei para filmar todos passando e fiquei vendo um a um parando e empurrando…estava determinado a não empurrar…dei o grito de guerra SEEELVAAA (ensinado pelos nossos instrutores de corrida de aventura Caco e Marcio) e fui….pedala, pedala….gira e gira….fui passando por que ainda empurrava a bike e agora só faltavam poucos metros….ufa consegui…admito que fiquei orgulhos…os treinos com o Selva valeram a pena. IMG_2382Um pouco mais e chegamos ao nosso destino do dia e a rotina se fez…banho de rio gelado e jantar fantástico. Mais uma noite de bom papo, mesmo os dois mais calados Ariel e Daniel contaram seus causos.IMG_2430

Desafio do Andes – Fevereiro de 2008

Estava sem treinar e precisava de um desafio que me estimulasse a voltar para o  esporte….o ritmo de trabalho tinha me dominado completamente e não achava tempo para nada. Minhas ferias estavam vencidas e tinha que sair, a Isa (minha mulher) teria que passar uns dias em Miami a trabalho. Mas estava sentindo falta de passar uns “perrengues” e ter um contato com o mundo alem do asfalto.

Por obra do destino, recebi um e-mail sobre uma travessia da Cordilheira dos Andes de bike www.mtbtours.com …pegar mais informações não faria mal algum. Com duas ligações não consegui segurar a ansiedade e já não via a hora de prepar os equipamentos e voltar a treinar…coordenei com a Isa a ida dela para Miami…ao final da travessia dos Andes encontraria com ela lá.

Consegui treinar apenas o suficiente para não fazer vergonha…mas sabia que com o passar dos dias ia melhorando. Assim no dia 15/02 desembarcava em Buenos Aires para um pernoite e no dia seguinte seguir para Malargue.

A travessia consiste em um pedal pelo Paso Vergara, de Malargüe na região de Mendonça (Argentina) até Curicó no Chile (2460 m). Num total de 310 km com muito desnível …basicamente 6 dias de subida e um de MEGA descida.MTB Tours Travesias de mountain bike, cicloturismo en Argentina, Uruguay y Chile - Patagonia y Cruce de los Andes en bicicleta_1249348566427

Cheguei em Malargue com um pouso desastroso…pensei na minha bike no porão do avião pois a pancada foi grande. Quando desci do avião no pequeno aeroporto olhei a cordilheira a minha esquerda, a visão me mostrou o tamanho do desafio que teria pela frente. Recolhi minha bike de um canto da esteira e fui procurar a Van da MTB Tours. Van encontrada comecei a trabalhar pois o motorista que nos levaria até o hotel estava meio desligado. Como minha bike iria sobre a van junto com outras e com bagagem, me ofereci para subir no teto e ajudar na amarração. No caminho vimos um pequeno tornado.IMG_2258

Na van alem de mim havia uma Canadense, um Frances, uma Finlandesa e mais TRÊS brasileiros. Apresentações feitas e pegamos a estrada. Na chegada tratei logo de montar a bike e sair para testá-la. Na volta encontrei com o resto do grupo (maioria argentinos) e fomos jantar. Naturalmente todas as brincadeiras entre Brasil x Argentina. Apos jantar…tentar segurar a ansiedade e dormir.

Primeiro dia de pedal Malargüe – Bardas Blancas – 67.5km – 774 metros de subida/740 metros de descida

Acordamos cedo e o Mariano nosso guia já nos esperava para fazer o breifing e vistoriar as bikes. Café da manhã, últimos ajustes e um pouco de giro no asfalto. De cara a bike da Finlandesa deu problema e eu e o Vinicius, o outro brasileiro, paramos para ajudar. Tinham realmente maltratado da bike dela no avião. O freio a disco estava todo empenado. Com isso perdemos contato com o grupo. Pedalamos forte 45 km e alcançamos o grupo para o almoço.  Paramos sob umas arvores, comemos e descansamos um pouco. Reunidos saímos novamente. Descemos boa parte do que já tínhamos subido num down Hill com muita, mas muita costeleta de vaca mesmo. Abandonei a manete de freio e desci como um maluco… agora sim a travessia tinha começado…que sensação boa do barulho de pedrinhas e areia batendo na bike e o vento no rosto.IMG_2269

Chegamos ao ponto de acampamento eu, o Ben (australiano) e logo depois Marcelo, um professor de educação física muito engraçado. Aproveitei para montar logo minha barraca, optei por levar a minha mesmo, que só cabe uma pessoa então tive a privacidade preservada assim como o sono. Me incomodava pensar em dividir barraca com alguém que não conhecia. Já tinha a experiência do caminho de Santiago quando nos albergues ficávamos perto do roçadores.IMG_2309

Tomei um banho quente no mercadinho, o último dos próximos dias. Fui fotografar o por do sol e depois jantar um típico assado argentino regado a vinho. Apos o jantar, o Ben sacou da mochila uma flauta doce e começou a tocar musica clássica.  IMG_2329Muito inusitado, a Lua já se formava, o frio começava e nós ali, no meio do nada ouvindo musica clássica, tomando vinho depois de um super churrasco. Que dia gosto, agora era só entrar na “Carpa” e dormir.

Acampar não é tão ruim assim

Acampar não é tão ruim assim

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