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Caminho de Santiago – Capítulo 4 – Forte Emoções

Caminho de Santiago – Capitulo 4IMG_2542

…acordamos com um pouco de ressaca do excesso de vinho de ontem. Tomamos café da manha e nos despedimos da Kim. Começamos a pedalar bem devagar para ver se a dor de cabeça passava. Passamos por um lindo campo de papaoulasIMG_2540 (foto). A trilha continuava ladeada por plantações de trigo (linda foto) e observar seu ballet e o barulho do vento fez passar qualquer mal estar.IMG_2557
O dia estava lindo e o pedal fluindo. Avistamos de cima do morro a vila de  San Bol . Tínhamos  uma bela vista La de cima, aquele mar de trigo com a trilha cortando ao meio o verde e uma ilha de eucaliptos com a igreja medieval. No inicio da descida havia uma cruz de ferro. Naquele momento, não sei  que me deu, fiquei com uma baita vontade de ficar por ali, fiquei emocionado, melancólico talvez, com saudades de casa…meus olhos se encheram de lagrimas. O Paulo percebeu e foi um pouco na frente me deixando com meus pensamentos.
Um outro fato, no mínimo curioso, aconteceu durante o caminho. Sonhei com muitas pessoas…minha sensação é de ter sonhado com todas as pessoas que já conheci. No dia seguinte, ficava pedalando e pensando nela, nas suas vidas e como estavam…dava vontade de fazer um “papo”com Deus e pedir proteção para todos. (+ fotos daqui)
Encontrei com o Paulo no final da descida e chegamos a vila que na verdade se resume em ruínas e a igreja medieval que hoje é um albergue. Essa igreja foi, segundo consta, um refugio dos templários. É basicamente um altar de pedra(foto) com um cômodo de não mais que 80 m2 com seis beliches. Era cedo, mês resolvemos ficar por ali. Tanto eu quanto o Paulo estávamos emocionalmente abalados.  Como não tem chuveiro nesse local, fomos nos lavar em um tanque de água corrente (gelada) e sentamos no chão na frente da igreja. Ficamos conversando até o final do dia com o barulho do vento no eucalipto. Falamos sobre família, amigos, trabalho, sonhos e futuro. Cada um com suas questões, duvidas e aflições. Um ótimo papo, que caberia perfeitamente com aquele lugar. Falamos de coisas aquele dia que nunca mais voltamos a falar. Acho que ficaram por lá.

Igreja templaria

Igreja templaria

Entramos no albergue/igreja e tratamos de nos enturmar com os peregrinos que La estavam e com o dono que se chama Luiz. Um sujeito que já viajou o mundo todo. Seu esquema de vida é o seguinte. Trabalha seis meses, durante o verão no albergue e no inverno o albergue fica fechado e ele roda o mundo. Começamos a jantar e ele empolgado com a atenção que demos e com as duas garrafas de vinho que tomou, falou de todos os lugar que já visitou. Conhecia o Brasil muito bem de norte a sul. Juntamente com um espanhol e um canadense o papo migrou para política e religião até a hora de dormir…

…a noite foi mal dormida, nunca ouvi um ronco tão alto na minha vida quanto o ronco do espanhol. Sabíamos que teríamos uma subida pesad

dormidinha

a pela frente e estar descansado se fazia necessário. Continuamos naquela linda paisagem a parte da manha toda. Almoçamos um belo “bocadilho de Ramon”de tiramos uma ciesta sob as arvores. Continuamos esperando a subida quando nos demos conta do nosso erro de calculo, a subida é no dia seguinte. Então  60 kms depois paramos em Carrion de Los Condes.
No dia segunte tínhamos certeza da subida, por isso saímos bem cedo, lodo no inicio da subida passamos por uma linda IMG_2571“fotografia”de um pastor com suas ovelhas vindo em nossa direção bem no inicio da manhã. Paramos e deixamos eles passarem. Sobe, sobe e sobe(foto) e chegamos cansados. O albergue estava lotado e nos indicaram uma escola municipal. Tomamos um bom banho e lavamos as roupas…agora comer e dormir.

Todas as fotos desse dia.

Caminho de Santiago

Vou começar os relatos de viagens pelo Caminho de Santiago. Foi uma das viagens mais marcantes que já fiz. Não tinha nenhuma pretenção religiosa, só queria pedalar os 900 kms que separam Saint Jean Pied de Port  de Santiago de Compostela.

Pesquisei um pouco e me decidi, iria dali a um mês e meio, daria tempo o sufuciente de prepara a bike e planejar os detalhes. Convidei o Paulo, amigo desde antes de vir morar em São Paulo que na hora topou.

Para os detalhes finais, visitei a Associação Amigos do Caminho de Santiago que dispunha de muita informação, documentários, mapas, dicas e até contatos de taxistas que possuem carros grandes o suficiente para carregar a bike.

Bikes Carregadas No dia 07/06/04 pedalamos os primeiros kms do Caminho. Depois de uma pequena dificuldade em montar as bikes (trouxemos a nossa do Brasil, seus nomes Magrela a minha e Favelinha a do Paulo) saímos de Rocesvalles e descemos a serra até Saint Jean Pied de Port na França para “começar do começo”. Lá, pegamos nossa Credencial, compramos nossa Vieira e voltamos a subir tudo que já tínhamos descido. A credencial é necessária para que durante o caminho você tenha acesso aos albergues da rota. Durante o percurso você vai carimbando por onde passou e ao final, em Santiago, recebe a Compostelana que é o Certificado de Conclusão do Caminho. É a representação das cartas de apresentação ou “salvo-conduto” dos peregrinos medievais.

Igreja de Roncesvalles

Igreja de Roncesvalles

A subida foi penosa, o sol estava forte e cada Km pareceia uma eternidade. Era a primeira vez que estávamos pedalando de verdade com a bike pesada e alforges carregados. Paramos em um rio para beber água e conhecemos um casal de senhores da Bélgica. Eles aparentavam ter por volta dos 70 anos e disseram que tinha saído de casa, na Bélgica, pedalando e agora estavam ali.  Aquilo foi bem motivador para continuar a subida, fiquei até com vergonha de achar díficil. Essa foi uma das coisas que aprendi no Caminho, a media de idade é na casa dos 45 – 50 anos…acho que é cultural. Vejo muita gente bem de saúde aqui no Brasil que se julga velho para algumas atividades, e lá vi mais de um caso como esse casal….Bem… sobe, sobe e sobe e finalmente avistamos a Cruz que marca o cume da montanha.

Nos instalamos no albergue e fomos assistir a missa do peregrino para pedir proteção para os próximos 800 kms. A Missa foi muito bonita realizada em uma igreja medieval e se repete desde a fundação. Você começa a entrar em um clima diferente. Jantamos com uns espanhóis e um deles voava de Paraglaider quando sofreu um acidente e caiu uns 50 metros. Ficou um ano de pernas para cima e hoje compete ciclismo nas Paraolimpíadas.

No dia seguinte saímos cedo para tentar fugir do sol, pela manhã é bem gostoso, até frio. Seguimos para Burguette pela trilha que foi espetacular. Furamos dois pneus. Paramos em Larrasoaña para carimbar a credencial e seguimos até Pamplona. Lá em Pamplona, já instalados no Albergue, conhecemos um inglês que viajava com a filha que por ter tido muitas bolhas no pé, ficariam por ali uns dois dias. Ficamos horas conversando, acho que ele estava apaixonado, pois só falava de amor, sentimentos, fé…estranho para um inglês.

Bem….dois dias de 17 já foram…amanhã tem mais….



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