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Caminho de Santiago – capitulo 6 – pedalando e aprendendo

Caminho de Santiago – capitulo 5  IMG_2618

…Sair de Léon foi um pouco complicado, não achávamos as setas amarelas que nos guiam. Por coincidência encontramos com o nosso amigo piloto e achamos o caminho. O trecho era fácil, mas o calor estava muito forte.No meio da manhã paramos em Nazarife sob a sombra da igreja e aproveitaríamos para carimbar a credencial. Acabamos cochilando em sua calçada. Seguimos caminho e passamos por Hospital de Orbigo. Encontramos um italiano que trabalha com moda e vende para o Rio. Encontramos com ele um pouco antes de atravessar a ponte dos 300.

Ponte dos 300

Ponte dos 300

A ponte dos 300 tem esse nome pois segundo consta, no período áureo da cavalaria, um nobre do lugar, Don Suero de Quiñnones, no Ano Santo de 1434, nos quinze dias anteriores e posteriores do Dia de Santiago, resolveu desafiar quantos cavaleiros passassem pela ponte para quebrar lanças em nome de um grande amor. Foi um torneio em que teve o apoio de sua rica família e de nove ajudantes (mantenedores). Nesses trinta dias enfrentou 300 cavaleiros de todos os cantos da Europa, portugueses inclusive. Venceu todos… Depois vencedor e perdedores peregrinaram para Santiago, onde Don Suero depositou aos pés do Santo um bracelete da misteriosa dama por quem tanto tinham pelejado. Tempos depois foi morto por um outro cavaleiro.

IMG_2608Fim da moleza…de morro a cima e um calor descomunal…mas quando chegamos ao cume desse trecho, vimos um grupo de ciclistas descansando…parece que todos, como nós, sentiram muito a subida e o calor. Fizemos amizade com um casal suíço e descemos juntos até Astorga. Achamos o casal um pouco estranho. O cara ficava andando na frente e a menina não parava de ficar encarando…não sei se foi a curiosidade, pois o principal questionamento dela era como nos poderíamos ser brasileiros se parecíamos “ alemães”. Desfizemos o comboio e fomos dar uma volta na vila para soltar as pernas, visitamos a catedral, comemos um sorvete liguei em casa e…..cama!

Saímos ainda sentindo a subida do dia anterior…passamos pelo casal suíço e nos despedimos. O Paulo não estava muito bem, tinha dores no joelho e estava desanimado. O calor judiava muito e as subidas não terminavam. Estávamos a caminho da Cruz de Ferro e esperávamos a cada curva vê-la…mas nada…já não agüentávamos mais…então depois de uma curva, vimos um peregrino subindo empurrando uma cadeira de rodas. Isso nos fez perceber como é fácil o nosso caminho e a parar de reclamar…Mais uma vez o caminho nos ensina. Estava pensando nisso pedalando e me distrai…saí da trilha e pela primeira vez passei um susto real de queda…uma baita tremedeira nas pernas…mas foi só o susto. Finalmente chegamos a Cruz…IMG_2619

Abri o alforje e peguei a pedra que vínhamos carregando desde a Calzada Romana com um símbolo de sacrifício e para se livrar de maus pensamentos e pecados. Essa é a simbologia da Cruz de Ferro. Cada peregrino que passa ali joga uma pedra reapresentando seus pecado…é literalmente jogar a pedra na cruz. Hoje já ha uma pequena montanha aos pés da Cruz. Joguei essa e mais duas…aproveitei para jogar pelo pecados futuros não é mesmo. Tudo que subimos agora era só descida até Ponferrada…decidimos ir pelo asfalto para nos divertir com a velocidade…tiramos o pó dos capacetes já que na pratica só tínhamos usado no primeiro dia…mas agora iríamos precisar.

descida da serra

descida da serra

Descemos MUITO rápido…uma doidera…a bike fica muito instável com os alforjes, mas isso não impediu que atingíssemos 63 km/h. Paramos ao final da serra para tirar uma foto em um monumento…o único em que aparecia um referencia ao peregrino de bicicleta. Mais tarde descobrimos que um peregrino havia mIMG_2624orrido de bicicleta na descida da serra…ops!

Chegamos na cidade e fomos até o mercado…foi ai que rolou o único stress da viajem. Acho que estávamos cansados e de humor alterado…pois o motivo foi uma bobagem…que sanduíche iríamos fazer e que vinho iríamos beber…mas no final foi bom…pois como somos amigos, falamos o que queríamos falar e tudo resolvido. Viajar com alguém não é fácil…ainda mais numa situação como essa de cansaço físico e mental..qualquer coisinha pode irritar. Tem que conhecer muito bem a pessoa para respeitar seus momentos, ainda bem que esse foi o único stress…o Paulo é um baita brother e já fizemos varias viagens depois dessa.

Fomos consertar o pneu do Paulo que havia furado. Depois visitamos o Castelo Templário e voltamos para o Albergue onde tomamos duas garrafas de vinho e ficamos de papo até a meia-noite.

Todas as fotos desse dia

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